terça-feira, 12 de abril de 2011

Pais e filhos

PAIS E FILHOS
Estátuas e cofres
e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender 

Dorme agora
É só o  vento lá fora
   
Quero colo.
Vou fugir de casa
Posso domir aqui com vocês       
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Meu filho vai ter nome de santo    
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porquê se você parar para pensar na verdade não há
Me diz por que é que o céu é azul
e explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim.               
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem mo visitar   
Eu moro na rua não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais   
Eu moro com meus pais
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porquê se você parar para pensar na verdade não lia
Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais

Você culpa seu pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser quando você crescer

(Russo, Renato et alii. Pais c filhos, in: As quatro estações.. Rio de Janeiro: EM1, 1989, Encarte).